O sonho de crescer, o pesadelo da realidade!







Eu sonhava, e cria que todos os sonhos dentro de mim poderiam se realizar e assim vivi no meu mundo dos sonhos por vários e vários anos. A infância para mim era como algo mágico, maravilhoso, surreal. Para mim não existia imperfeição, violência, corrupção, egoísmo, falsidade, aliás, eu nem sabia o que era tudo isso ou o que essas coisas significavam, o mundo em que eu havia criado era perfeito demais para entrar qualquer coisa desse tipo. Quando criança fui ator, cantor, apresentador e várias outras coisas que uma criança pode ser.

Embora vivesse nesse mundo “perfeito” tinha vontade de crescer e viver igual aos meus pais. Trabalhar, poder ir a lugar que crianças não podiam ir e enfim, viver a “vida de gente grande”. Não é que achava chato ser criança e tão pouco ter todos aqueles sonhos, mas queria viver como os adultos e ir aos lugares que eles iam. Não me bastava sonhar, queria ser jovem e queria poder ir a lugares mais bacanas, queria ser “gente grande”.

O tempo foi passando e eu fui crescendo, e embora crescer não quer dizer deixar de sonhar, eu tive que aprender que a “vida de gente grande” não era tão fantástica como eu imaginava e mesmo não sendo necessário parar de sonhar tive que abrir mão de alguns deles se quisesse sobreviver no “mundo real”. Tive que sair do mundo de faz de contas e viver da realidade, e que realidade!

Com o tempo fui percebendo que conforme eu conhecia a realidade da vida e crescia mais egoísmo, egocentrismo, imperfeição, etc. entravam em meu coração e aquilo que outrora eu nem ao menos sabia o que significava, agora tinham um significado amplo dentro de mim.

Não demorou muito para que eu começasse a me esconder atrás de máscaras que eu mesmo fiz questão de criar para mim. As máscaras me serviam de “enfeite” e quem me via com elas achavam-me belo, porém só eu mesmo sabia a feiúra que se escondia por detrás daquelas “máscaras”. Houve um dia em que nem eu mesmo conseguia parar para ver a minha própria face, pois em mim já havia tantas máscaras que se tornava chato ter que tira-las. Foi ai que comecei a adotar uma personalidade que não era minha e eu mesmo me iludi com aquilo que coloquei como forma de esconder meu rosto.

Hoje sinto falta da infância, de todos meus sonhos, meus mundos e da minha verdadeira face, que hoje quase não pode ser vista. Sei que não posso voltar atrás, o que posso fazer é encarar essa realidade nua e crua tentando quem sabe voltar a sonhar e ter a esperança de um dia poder me olhar no espelho e ver a minha verdadeira face, o meu verdadeiro eu.




By: Jackson Araújo


4 comentários:

Soraia Alves disse...

Adorei seu post e seu blog.
Parabéns

Juliane Oki Carraro disse...

"Como criança eu quero me entregar!"

No colo do Pai podemos ser crianças.
Podemos nos deixar rodopiar em Teus braços.

Na cruz de Jesus as máscaras já não existem, Ele sabe quem somos e mesmo assim nos ama!

Que você possa sempre estar no colo do Pai sob a sombra da cruz!!

Ótimo fds, Deus te abençoe e te inspire!

Bjs

Willian Lins disse...

Todos temos esse problema,e ao decorrer de nossas vidas nos enfeitamos com máscaras que por vez se moldam tão bem ao nosso rosto que somos incapazes de arrancá-las.

Abraço!

Jefferson Araújo. disse...

Crescer é preciso.
Mas também é necessário cultivar os sonhos, e não deixar que eles morram sufocados pelas mascaras que muitas das vezes somos obrigados a carregar.
Precisamos ter coragem para suportar a dor de arrancar as mascaras e respirar o ar puro da liberdade.

vlw, belo texto.
abraçus